terça-feira, setembro 19, 2006

triste

Eu estou triste. Definitivamente estou. Com uma tristeza sem fim. Mas é sem fim e sem um começo também. Eu estou com uma tristeza despropositada. Sem pé nem cabeça. Mas é uma tristeza que não vai embora, que insiste.Eu fico triste por que tenho sono, mas não quero perder tempo dormindo. Fico triste por que eu não leio, mas não quero ficar acordada até tarde. Fico triste trabalhando onde eu estou, mas sei que não poderia ter um lugar melhor pra mim agora. Fico triste por ter que andar de metrô, mas não iria de carro pro trabalho, nem se eu tivesse um. Fico triste quando não saio com meus amigos, mas tenho uma vontade enorme de descansar. Fico triste por saber que preciso me afastar um pouco, sabendo que poucas coisas no mundo me dão maior prazer do que estar próxima. Fico triste por causa de um comichãozinho que me dá no peito quando eu penso em amor, mas sei que eu preciso matar o que eu sinto. Fico triste quando vejo que eu estou conseguindo matar o que eu sinto. Eu sinto uma saudade, talvez, dos planos loucos que eu fiz. Me sinto triste pela amizade que eu perdi. Triste pelas palavras mal trocadas. Bom dias amargos. Me entristece saber que meu nome gera sentimentos ruins nas pessoas, embora eu saiba que ele também gere bons sentimentos. Me dá preguiça ter que explicar o que eu sinto, o que eu quero dizer. Fico triste quando não me entendem. Tinham que me entender sem mesmo eu ter que falar, mas não, nem quando eu explico, quando eu detalho, não adianta, não entendem. Fico triste por que eu não emagreço nem com a dieta mais xiita que já se ouviu falar, mas nem cogito a possibilidade de fazer algum exercício físico. Fico triste quando eu estou num bad hair day, mas não quero fazer nada a respeito. Fico triste de ter a obrigação de me sentir feliz, afinal tenho uma casa, uma família feliz, meu empreguinho e saúde, mas eu não me sinto plena e realizada com isso. Mas não quero fazer muito esforço pra me sentir plena e realizada de qualquer forma... Fico triste de ter uma saúde de ferro e torcer pra pegar um rotavírus ou torcer um pé só pra faltar no trabalho e poder descansar em casa. Fico triste de ter que me preocupar com rugas, manchas na pele e articulações enferrujadas por causa da idade, mas o tempo é cruel e acelera cada vez que eu penso nisso. Me entristece até o fato de eu querer exatamente o único incenso que eu não tenho, dos milhões que eu tenho, pra poder tentar meditar. Me entristece a minha falta de concentração, não consigo nem meditar, bons tempos aqueles em que eu conseguia. Fico triste o tempo todo, fico triste quando eu percebo que não passa de estar contente cada sorriso que eu dou. Fico triste mais ainda de perceber que a minha tristeza está dentro e que não há nada de fora que cure. Eu só ficaria contente. Fico triste por não ter mais 17 anos, por ter alisado os meus cabelos que eram tão lindos enroladinhos, por não querer aprender nada da faculdade, por não caber mais naquela calça que nunca tive coragem de jogar fora por que era a calça do parâmetro, por não poder pensar em ninguém quando eu ouço uma música bonita ou vejo um céu com muitas estrelas, por ter pouco dinheiro, pouco tempo. E a minha tristeza não vai embora e quanto mais triste eu fico, mais triste eu fico. Eu estou presa aqui. Não tem saída. Não tem pé, não tem cabeça. Não tem início, não tem fim. Não tem por quê nem pra quê.

segunda-feira, setembro 11, 2006

E pra acabar com a verborréia de hoje...

Sempre esteve claro, mas eu nunca quis mesmo ver.
Estava claro quando era diversão pura, enquanto ninguém se envolvia. Estava claro quando saiu do controle e eu me envolvi. Vinha muito mais de mim, eu sei, esteve claro.
Estava claro quando você me queria por instinto e quando você se arrependia pela manhã.
Sim, sempre esteve claro pra que se - e somente se - eu quisesse, eu pudesse ver. Mas eu nunca quis.
Eu sim, deixei claro sempre tudo o que eu quis e senti. Fui sincera - como sempre sou - desde sempre. O problema é que isso assusta. As pessoas não sabem lidar com sentimentos de outras pessoas quando eles estão lá, sinceros e expostos.
Não é culpa de ninguém.
É como a situação evoluiu.
É a causa do silêncio e a conseqüência do erro. Do meu erro. O erro de me envolver.
Não há mais nada a ser fazer.
O que eu não queria ver ver foi aos poucos aparecendo de forma permanente na minha frente, sem a menor possibilidade de volta.
Agora, aprenda com isso, Juliana. Mais uma vez você tem essa chance. A chance de aprender. E agora? o que você vai fazer com ela, hein, Juliana?

A arte de ouvir um Não

Tem horas que tudo que a gente quer na vida é um sim! Ou vários Sins. A gente quer sim o tempo todo, mas às vezes vem um não. E eu tenho dificuldade em lidar com um não.
Por que, me diz, o que se faz com um não? Pior ainda é quando a gente ganha um não quando tinha certeza que lá ia sair um sim.
Eu posso aceitar um não, abaixar a minha cabeça, botar o rabinho entre as pernas e desistir.
Posso também fingir que não ouvi o não, e continuar insistindo.
Ou eu posso simplesmente não aceitar o não e lutar contra ele com todas as minhas forças, mas é bom que eu saiba que são raras as vezes que o não vira um sim. E que um não, às vezes quer dizer talvez, às vezes quer dizer até sim, mas na maioria absoluta das vezes quer dizer não mesmo.
Eu, definitivamente, preciso aprender a ouvir não, se eu não quiser continuar me machucando...
Não é não. E ponto final.

A arte de dizer não

Da forma como as coisas andam ultimamente, a gente passa a dar valor a umas coisas muito pequenas e aparentemente sem importância.
Nós precisamos, o tempo todo, ser aceitos na sociedade e para isso precisamos agradar. Agradar significa não contrariar. Não dizer não. Nunca dizer não. Por isso não se diz não. se diz "acho que não", "não sei", "não tô muito afim", "vamos ver".
Em qualquer relacionamento isso acontece. Patrão e empregado, entre namorados, amigos e amantes. O não é uma coisa muito forte. Um não finaliza o assunto, é um ponto final sem volta e por isso as pessoas evitam dizê-lo.
É triste. Um não quase sempre é triste. Por que tudo que acaba é triste.
Porém, o não é necessário. Sem o não, às vezes a gente não consegue deixar claro o que quer dizer.
Quando não é pra ser, não.
Quando não tô afim, não.
Quando por algum motivo eu não posso, não.
Eu preciso aprender a dizer não.

terça-feira, setembro 05, 2006

Queria ser amante

Andei pensando bastante sobre isso ultimamente. Como é bom ser amante. Ser amante no sentido literal da palavra: um ser que ama, que faz por prazer. E por que não também ser amante no sentido figurado (diria quase literal, literal e metaforicamente) que também é muito bom. Eu faço parte de uma comunidade do orkut (aquele lá mesmo) que tem esse título, "eu queria ser amante" onde discutimos as grandes vantagens e desvantagens do sobre esse tema, e chego a conclusão agora, que o grande lance é ser amante. Pode ser amante do próprio namorado desde que seja amante.
Todo mundo sonha um dia em ser (perceba que eu digo ser, e não ter) amante. Amante é o desejo adormecido dentro de cada um de nós... Ser amante rules!!! Vou citar uma resposta a um tópico do fórum, que vale a pena e ilustra bem esse meu desejo...

Se eu fosse amante... 15/07/2004 05:59 Amante sempre atende telefone com uma voz sedutora. Amante sempre deixa recados insólitos na caixa postal. Amante sempre, sempre leva pra comer em lugares exóticos (restaurante, por exemplo). O amante nunca vai te convidar pra sair numa sexta-feira, ou pra ir àquele show nojento cheio de meninos de 14 anos. O amante nunca vai te levar ao shopping no domingo em que você quer passar o dia na banheira. O amante vai te esperar no frio da madrugada até que você apareça, e nunca vai reclamar da sua demora. Ele não vai reclamar das suas estrias, nem vai discutir as contas a pagar. O amante no fundo, no fundo, queria que você o usasse sem dó, mas isso já seria pedir de mais. E o amante nunca pede demais...

Mas será pedir demais ser amante??? eu quero ser amante!!!!

Serve pra quem quiser que sirva, ok?

quarta-feira, agosto 30, 2006

Vou tirar você do dicionário

Eu vou tirar do dicionário a palavra "você"
Vou trocar-lá em miúdos
Mudar meu vocabulário e no seu lugar vou colocar outro absurdo
Eu vou tirar suas impressões digitais da minha pele
Tirar seu cheiro dos meus lençóis, o seu rosto do meu gosto
Eu vou tirar você de letra nem que tenha que inventar outra gramática
Eu vou tirar você de mim, assim que descobrir com quantos "nãos" se faz um "sim"
Eu vou tirar o sentimento do meu pensamento sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento a qualquer momento, procurar outra lembrança
Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós, o dito pelo não tido
Eu vou tirar você de letra nem que tenha que inventar outra gramática
Eu vou tirar você de mim, assim que descobrir com quantos "nãos" se faz um "sim"

Itamar Assumpção


PS. "Certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim, que perguntar carece, como não fui em quem fiz..."

segunda-feira, agosto 28, 2006

? quem?

Quanto do que eu escrevo vem de mim? Quanto do que eu escrevo vai pra você? E quanto vem dessa parte de mim que não sou eu? Que se monta de um jeito que eu sei que te agrada e se disfarça de mim mesma e escreve pra você?
Mas você, não o você de verdade, mas um você que eu criei, que é só meu, que vive só pra mim e me ama além de tudo e adora ler as coisas que eu mesma escrevo pra você!

sexta-feira, agosto 25, 2006

F.R.I.E.N.D.S

Eu tenho um amigo que é um amigo de verdade.
Desses que eu sei que vou levar pro resto da minha vida.
Desses que eu sei que posso contar em qualquer momento.
Desses pro qual também eu, vou estar disponível a qualquer hora, pra qualquer coisa.
Meu amigo já se divertiu - se diverte ainda - muito comigo.
Damos algumas boas gargalhadas juntos.
Eu já o vi chorar. Uma vez. Uma única vez. E esse fato definitivamente abalou as minhas estruturas, por que pra mim, ele nunca pode chorar.
Ele já me incentivou um bocado de vezes em um bocado de coisas. Ele cuidou e cuida de mim com um carinho que poucos têm.
Eu já ocupei noites e mais noites, ocupei ouvidos, ombros e colos com minhas choradeiras e lamentações, já desfiei um rosário inteiro de lágrimas esperando só que ele me dissesse "tá tudo bem, vai passar!". E muitas vezes ele o fez.
Só que a minha choradeira continuou e ele, talvez já cansado de me ver sofrer, me aconselhou a cair fora. Mudar o rumo dessa prosa, mudar os ares, os cheiros, os temas. Só que eu não fiz.
Eu desobedeci ao meu amigo querido. E desobedeci displiscentemente.
Desobedeci só porque eu ainda acredito no que eu sinto e acho ainda válido dar mais um tempo (quanto tempo for necessário até que eu ache que chegou a hora de eu cair fora).
Eu espero que você, meu amigo, me perdoe por isso. Desculpa por eu ser tão cabeça dura e só querer ouvir o que eu quero escutar.
Prometo que vou tentar não encher mais seus ouvidos com as minhas lamentações, quando eu estiver cabisbaixa, mas que vou me lembrar de comemorar com você quando estiver feliz.
Desculpa, amigo, por eu ser assim. Desculpa se eu te envergonho e se te deixo com raiva; tudo que eu ainda faço é movido por um sentimento muito grande, no qual eu ainda acredito.
E se no final das contas, mas final, final mesmo eu acabar quebrando a cara, eu espero poder contar com você e seus ombros pra eu poder chorar as minhas dores de amor.
Desculpa, obrigada e te amo.

quinta-feira, agosto 24, 2006

...

Em homenagem ao aniversário da minha queria tia Suzana vai uma frase do Nelson Carvalho (irmão do tio Ney) que uma vez ela me escreveu (no meu aniversário de 18 anos, há aguns poucos anos atrás) e que agora devolvo, com muito prazer.

"Terminantemente me oponho ao encarceiramento dos sonhos e à limitação da paixão"

Amém.

terça-feira, agosto 22, 2006

sssssshhhhhhhhh

O seu silêncio me incomoda. Me incomoda por que ele não me diz nada.
Por que tem uns silêncios que querem dizer tudo, que dão todo um significado pra determinadas situações, mas o seu silêncio não me diz absolutamente nada.
E o que é pior é que invariavelmente, quando nós dois estamos sozinhos, a situação nos leva a um silêncio sem fim, mas eu sei o que me faz ficar calada. Sei muito bem. Eu não quero que você fique constrangido com o que eu sinto, mais uma vez. Com esse amor com o qual você não tem idéia do que fazer. Um amor que você sabe que existe, pois eu mesma já te falei, mas que ouvir dele, ali, assim na sua cara te faz calar mais ainda. E eu não gosto do seu silêncio.
Mas o por que que você se cala quando estamos só nós dois é o que eu queria saber... Você tem também medo de falar? De dizer como se sente? Ou você não quer mesmo dizer nada? Não tem nada a me dizer no meu silêncio que me deixa surda?
Não me diz nada.
Nada.
Fale alguma coisa, peloamordedeus!!!

domingo, agosto 20, 2006

enquanto eu

Hoje, enquanto eu dormia, algumas pessoas já trabalhavam.
Enquanto eu acordava, algumas pessoas iam dormir.
Enquanto eu ia pro trabalho, eu olhei pela janela e vi um céu sem nuvens mas com uma grande camada de poeira no horizonte.
Enquanto eu tomava café, meu computador se inicializava.
Enquanto eu trabalhava, eu ouvia música.
Enquanto eu almoçava, eu conversava com meus amigos.
Enquanto eu bebia café, eu espantava o meu sono.
Enquanto eu voltava de metrô, eu escutava a conversa da família ao meu lado.
Enquanto eu comprava roupas, eu me sentia bem.
Enquanto eu estava no cinema, o São Paulo perdia a final da Copa Libertadores da América.
Enquanto eu escrevia um tanto de besteiras, meu pensamento não parou aqui.
Enquanto eu tentava dormir o meu sono fugia.
Enquanto eu sonhava, eu ainda não tinha dormido.
Enquanto eu lia, o sono chegou.

segunda-feira, agosto 14, 2006

uma história velha, mas nem tanto...

Minha cabeça se enche de pensamentos quando eu me deparo com a sua escova de dentes esquecida no armário do banheiro.
Penso mil coisas. Penso em como ela foi parar ali. Em que momento você achou necessário ter em minha casa uma escova de dentes. Se passou pela sua cabeça a freqüência com que ela seria usada ou durante quanto tempo ela seria útil esporadicamente.
Penso também em como ela está lá guardada e nenhuma das pessoas que usam esse banheiro e têm as suas próprias escovas penduradas nesse mesmo armário, nenhuma dessas pessoas sabe a quem a escova verde pertence. Só eu. Penso se os outros usuários do banheiro se indagam de quem seria aquela escova a mais que está ali pendurada.
Fico pensando se você se lembra que ela existe aqui. Se pensa em, de vez em quando, fazer em minha casa, a sua profilaxia dental.
As vezes penso se devo jogá-la fora ou guardá-la em outro lugar. Mas não. Por enquanto ela vai ficando por ali mesmo. Não sei se com uma ponta de esperança que você venha escovar os seus dentes em minha companhia ou se simplesmente como uma recordação de alguns momentos bons que tive ao seu lado. Não sei.
Mas por enquanto ela fica lá, verde, pendurada, com responsabilidades e compromentimentos demais para uma simples escova de dentes...

quarta-feira, agosto 09, 2006

muito, demais, mais do que cabe aqui

Eu sou demais. Não, não. Não me deu uma crise de auto-estima super elevada nem nada. Isso é apenas uma constatação.
É que eu sou empolgada demais. Eu espero demais. Conto demais com o sentimento dos outros. Sinto demais. Me apaixono demais. Amo demais. Sofro demais. Choro demais. Eu como demais. Engordo demais. Eu falo demais, céus como eu falo! Eu durmo demais e tenho sono demais. Eu quero demais, desejo demais. Eu me dedico demais. Muito mais do que mereciam.
Quando a gente faz tudo assim, exageradamente é um problema, por que nada nunca basta. Nunca você tem de volta o suficiente, por que se dá demais. Mais do que o normal. Mais do que pessoas comuns conseguem retribuir.
Injusto se eu exigir que alguém me ame como eu amo, por que é muito? Por que é demais?
Mas agora, eu decidi que também não vou ficar aí, vivendo de migalhas e restos. Não, sabe por que?
É que eu sou boa demais, mulher demais pra isso.
E já me cansei demais.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Humpf

Ah!!! Seu moleque! Isso lá é coisa que se faça? Eu sou uma mulher séria. Não sou qualquer menininha dessas suas aí, não. Trate de me levar a sério e não me fazer mais sofrer. Chega dessa brincadeirinha de você me dar um gostinho e na hora que eu quero mais você me cortar. Chega!!!
Vamos esclarecer uma coisinha aqui, de uma vez por todas. A parte que eu te amo você já conseguiu entender, né? E a parte que eu quero passar o resto da minha vida com você, captou? Tá, e a parte que eu te quero o tempo todo de uma forma louca, como nunca quis ninguém na minha vida, está claro?
Meu Deus!!! Então falta o que??? Pelo menos me diz o que tá faltando. Eu não posso mais ficar sem entender isso.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Futuro do pretérito. De um futuro mais que perfeito

Seria melhor do que tudo o que eu desejo! Escolheria com você os móveis da casa onde nós iríamos morar. E tiraríamos na sorte a cor dos estofados e a quantidade de cadeiras que teria a nossa mesa de jantar.
E faríamos um banheiro com duas pias e dois chuveiros – mas um bem pertinho do outro.
A nossa cama, teríamos que encomendar por que não seria num tamanho padrão. Nós dois não cabemos em uma cama padrão. Na verdade nós dois não cabemos em uma vida padrão. Nossa história nunca foi padrão, nunca foi reta.
Nós discutiríamos a respeito da raça do cachorro que iríamos comprar e no final, mudaríamos os dois de idéia. Teríamos logo dois cachorros. Ou três.
A nossa mudança, faríamos devagar que é pra gente não acabar tão cedo com essa sensação boa de coisa nova acontecendo o tempo todo.
Nós dormiríamos além da conta em nossa cama nova. Demoraríamos depois, no banho em nossos chuveiros especiais e nos atrasaríamos para o trabalho.
Passaríamos o dia inteiro com saudades um do outro e nos encontraríamos no começo da noite para comer alguma coisa e voltar para nossa casa.
Assistiríamos a um filme ou ouviríamos músicas boas, um muito perto do outro naquele sofá que mandamos trocar o estofado por aquele outro que combinava mais com a cor da madeira da estante.
Nos beijaríamos até a exaustão. Nos amaríamos como se fosse a primeira vez e dormiríamos, mais uma vez, além da conta na nossa cama fora dos padrões.

segunda-feira, julho 31, 2006

como tem passado? Vai bem?

JOSÉ
E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José?
Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?
E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio - e agora?
Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora?
Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... Mas você não morre, você é duro, José!
Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde?

domingo, julho 09, 2006

tarde de ano novo

Hoje eu bolei uma tarde especial pra nós dois. Não sei ainda se vai dar certo, mas se der vai ser bem legal.
Uma tarde qualquer de um dia útil. Uma tarde que – eu vou torcer – tenha muito sol. Uma tarde sem precedentes. Como esta nunca houve...
Seria assim: a gente se encontraria pelo caminho e seguiríamos juntos pra algum lugar que eu já pensei. Lá, iríamos conversar e rir muito. Contar coisas que só nós dois podemos saber e nos tornaríamos ainda mais cúmplices um do outro. A gente ia também comer alguma coisa bem gostosa. Comeríamos com a mão, que é muito mais legal e falaríamos com a boca cheia sem se preocupar com etiquetas.
Discutiríamos assuntos sérios e banais. Concordaríamos em alguns pontos e discordaríamos em outros tantos e morreríamos de rir mais uma vez da situação que se repete a cada encontro.
Nos recordaríamos de acontecimentos remotos de nossas vidas e contaríamos como se fossem eles fábulas.
Comentaríamos também fatos recentes e planejaríamos pequenos eventos futuros.
E nos entregaríamos como nunca antes. Você ia segurar o meu braço daquele jeito que eu não consigo me mexer e beijaria o meu pescoço. Depois nos beijaríamos até a exaustão e nos amaríamos de todas as formas que nos apetecessem. Depois descansaríamos, aninhados nos braços um do outro e nos despediríamos do ano acaba e que trouxe coisas interessantes, e saudaríamos o novo ano que chega para que nele, as coisas sejam inesquecíveis.

sexta-feira, junho 30, 2006

é assim

Tudo começa quando o fato de eu olhar nos seus olhos deixa de representar simplesmente isso. E nessa hora que eu quero sentir muito o seu cheiro e grudo no seu pescoço. Então a minha respiração já fica descontrolada e o coração descompassado. Na hora que eu agarro o seu cabelo, me arrasto na sua barba e mordo a sua orelha eu já posso sentir o sangue correndo nas minhas veias. Depois disso eu já não sei. A partir desse momento não tem como descrever. Talvez “entrega” seja a palavra. Talvez não. Talvez seja prazer puro e simples. Talvez não. Talvez a gente não queira que aquele momento acabe nunca. Talvez não. Mas quando tudo acaba, eu trocaria facilmente o meu reino pelo seu peso em cima de mim pra sempre. Daria a minha vida pela sua respiração e tudo do que eu pudesse dispor pra você dormir ao meu lado e me acordar amanhã.

quarta-feira, junho 28, 2006

braços destacáveis

De uma hora pra outra as coisas mudam de figura.
E o que antes não era, agora passa a ser.
O abraço é outro. O beijo é outro, a mão é outra, o braço é outro.
Tudo parece diferente e na verdade o é. E eu fico confusa e sem saber os limites do meu desejo.
Não sei se é isso mesmo o que eu quero. Mas eu sei que eu quero, eu quero muito. Quero a toda hora, mas será que é isso?
E quando longe, ainda assim eu quero. Só não quero mais do que quando eu sinto o seu cheiro e vejo a sua boca.
O cheiro não do seu perfume, que é bom, mas o cheiro da sua pele que me fascina. Me fascina mais ainda mais que o seu perfume.
Eu podia ficar ali, sentindo aquele cheiro por horas, mas você insiste em ir embora.
E cada vez que você vai embora mais eu penso como seria bom se fôssemos destacáveis, por que assim você levava o meu coração e deixava os seus braços pra eu me aninhar.
Mas a cada momento tudo muda e eu não sei o que esperar de daqui a pouco. O incerto me atrai como nunca e agora, nesse exato momento eu me encontro presa aos seus braços e seu cheiro, que vão dormir aqui comigo.

segunda-feira, junho 26, 2006

conversa fiada

Passava um pouco das 9 da noite naquela hora que eu abri a janela. Não agüentava mais de tédio e calor! Sentei naquela cadeira que esta um pouco bamba, com uns parafusos soltos, e fiquei ali, olhando pra fora e pensando.
Pensei um monte, sobre um monte de coisas. Pensei no trabalho, no cansaço e no tédio. Pensei no preço da gasolina – nossa, como tá caro – por que da janela dá pra ver um posto. Pensei em comida. Engordativa. Minha janela é iluminada diariamente pelos arcos da fortuna do Mc Donald´s.
Pensei na programação de TV aberta e me irritei, de novo, com a falta de opções. Por que não passa uma novela boa??? Ou então um filmezinho triste pra eu chorar? Mas nada... chorar mesmo só vendo as notícias das tragédias que agora acontecem no atacado. Mortos se contam aos milhares, prejuízos aos bilhões, uma coisa louca.
Mas daí deu um ventinho bom, tão fresquinho que eu me desliguei da TV e olhei para o tanto de luzes acesas nas casas vizinhas e fiz uma coisa que eu adoro. Comecei a tentar imaginar cada casa. Cada casa tem uma família – ou 1 pessoa – com interesses, felicidades, preocupações diferentes das minhas, mas ao contrário de mim, não tem mais ninguém na janela, olhando a toa.
Eu gosto de ficar pensando como cada pessoa sempre reage de maneira diferente a cada coisa que acontece.
Outra coisa que eu gosto é de olhar um ônibus cheio. Cada caboclinho que está ali dentro saiu de uma casa diferente, fez coisas diferentes, está pensando em coisas diferentes e indo cada um para um destino diferente. Uns para o trabalho – todos diferentes – outros para escola. Uns vão namorar, descansar, comprar, pagar. Isso é muito massa!!! Me fascina!!
E foi sem querer que eu pensei naquela boca, naqueles braços e naquelas mãos. Chega fechei os olhos e dei até um suspiro, mas quando eu abri o os olhos eu vi uma luzinha piscando. Me deu de novo aquela esperança que eu tenho todas as vezes que isso acontece, de que a luzinha fosse um disco voador.
Ah! Se fosse um disco voador eu ia ficar tão feliz. Tão absurdamente feliz!!! Ia confirmar que não é só isso. Que não acaba aqui. Que tem muito mais. Nossa! Eu ia ficar feliz!
Mas a luzinha era um avião que estava alto demais pra me fazer sentir qualquer coisa, até medo.
Agradeci a um Deus qualquer por ser um ser pensante e fechei a janela antes que meus pensamentos fossem todos de carona com o avião. E antes de entrar algum pernilongo no meu quarto.