sexta-feira, junho 30, 2006
é assim
Tudo começa quando o fato de eu olhar nos seus olhos deixa de representar simplesmente isso. E nessa hora que eu quero sentir muito o seu cheiro e grudo no seu pescoço. Então a minha respiração já fica descontrolada e o coração descompassado. Na hora que eu agarro o seu cabelo, me arrasto na sua barba e mordo a sua orelha eu já posso sentir o sangue correndo nas minhas veias. Depois disso eu já não sei. A partir desse momento não tem como descrever. Talvez “entrega” seja a palavra. Talvez não. Talvez seja prazer puro e simples. Talvez não. Talvez a gente não queira que aquele momento acabe nunca. Talvez não. Mas quando tudo acaba, eu trocaria facilmente o meu reino pelo seu peso em cima de mim pra sempre. Daria a minha vida pela sua respiração e tudo do que eu pudesse dispor pra você dormir ao meu lado e me acordar amanhã.
quarta-feira, junho 28, 2006
braços destacáveis
De uma hora pra outra as coisas mudam de figura.
E o que antes não era, agora passa a ser.
O abraço é outro. O beijo é outro, a mão é outra, o braço é outro.
Tudo parece diferente e na verdade o é. E eu fico confusa e sem saber os limites do meu desejo.
Não sei se é isso mesmo o que eu quero. Mas eu sei que eu quero, eu quero muito. Quero a toda hora, mas será que é isso?
E quando longe, ainda assim eu quero. Só não quero mais do que quando eu sinto o seu cheiro e vejo a sua boca.
O cheiro não do seu perfume, que é bom, mas o cheiro da sua pele que me fascina. Me fascina mais ainda mais que o seu perfume.
Eu podia ficar ali, sentindo aquele cheiro por horas, mas você insiste em ir embora.
E cada vez que você vai embora mais eu penso como seria bom se fôssemos destacáveis, por que assim você levava o meu coração e deixava os seus braços pra eu me aninhar.
Mas a cada momento tudo muda e eu não sei o que esperar de daqui a pouco. O incerto me atrai como nunca e agora, nesse exato momento eu me encontro presa aos seus braços e seu cheiro, que vão dormir aqui comigo.
E o que antes não era, agora passa a ser.
O abraço é outro. O beijo é outro, a mão é outra, o braço é outro.
Tudo parece diferente e na verdade o é. E eu fico confusa e sem saber os limites do meu desejo.
Não sei se é isso mesmo o que eu quero. Mas eu sei que eu quero, eu quero muito. Quero a toda hora, mas será que é isso?
E quando longe, ainda assim eu quero. Só não quero mais do que quando eu sinto o seu cheiro e vejo a sua boca.
O cheiro não do seu perfume, que é bom, mas o cheiro da sua pele que me fascina. Me fascina mais ainda mais que o seu perfume.
Eu podia ficar ali, sentindo aquele cheiro por horas, mas você insiste em ir embora.
E cada vez que você vai embora mais eu penso como seria bom se fôssemos destacáveis, por que assim você levava o meu coração e deixava os seus braços pra eu me aninhar.
Mas a cada momento tudo muda e eu não sei o que esperar de daqui a pouco. O incerto me atrai como nunca e agora, nesse exato momento eu me encontro presa aos seus braços e seu cheiro, que vão dormir aqui comigo.
segunda-feira, junho 26, 2006
conversa fiada
Passava um pouco das 9 da noite naquela hora que eu abri a janela. Não agüentava mais de tédio e calor! Sentei naquela cadeira que esta um pouco bamba, com uns parafusos soltos, e fiquei ali, olhando pra fora e pensando.
Pensei um monte, sobre um monte de coisas. Pensei no trabalho, no cansaço e no tédio. Pensei no preço da gasolina – nossa, como tá caro – por que da janela dá pra ver um posto. Pensei em comida. Engordativa. Minha janela é iluminada diariamente pelos arcos da fortuna do Mc Donald´s.
Pensei na programação de TV aberta e me irritei, de novo, com a falta de opções. Por que não passa uma novela boa??? Ou então um filmezinho triste pra eu chorar? Mas nada... chorar mesmo só vendo as notícias das tragédias que agora acontecem no atacado. Mortos se contam aos milhares, prejuízos aos bilhões, uma coisa louca.
Mas daí deu um ventinho bom, tão fresquinho que eu me desliguei da TV e olhei para o tanto de luzes acesas nas casas vizinhas e fiz uma coisa que eu adoro. Comecei a tentar imaginar cada casa. Cada casa tem uma família – ou 1 pessoa – com interesses, felicidades, preocupações diferentes das minhas, mas ao contrário de mim, não tem mais ninguém na janela, olhando a toa.
Eu gosto de ficar pensando como cada pessoa sempre reage de maneira diferente a cada coisa que acontece.
Outra coisa que eu gosto é de olhar um ônibus cheio. Cada caboclinho que está ali dentro saiu de uma casa diferente, fez coisas diferentes, está pensando em coisas diferentes e indo cada um para um destino diferente. Uns para o trabalho – todos diferentes – outros para escola. Uns vão namorar, descansar, comprar, pagar. Isso é muito massa!!! Me fascina!!
E foi sem querer que eu pensei naquela boca, naqueles braços e naquelas mãos. Chega fechei os olhos e dei até um suspiro, mas quando eu abri o os olhos eu vi uma luzinha piscando. Me deu de novo aquela esperança que eu tenho todas as vezes que isso acontece, de que a luzinha fosse um disco voador.
Ah! Se fosse um disco voador eu ia ficar tão feliz. Tão absurdamente feliz!!! Ia confirmar que não é só isso. Que não acaba aqui. Que tem muito mais. Nossa! Eu ia ficar feliz!
Mas a luzinha era um avião que estava alto demais pra me fazer sentir qualquer coisa, até medo.
Agradeci a um Deus qualquer por ser um ser pensante e fechei a janela antes que meus pensamentos fossem todos de carona com o avião. E antes de entrar algum pernilongo no meu quarto.
Pensei um monte, sobre um monte de coisas. Pensei no trabalho, no cansaço e no tédio. Pensei no preço da gasolina – nossa, como tá caro – por que da janela dá pra ver um posto. Pensei em comida. Engordativa. Minha janela é iluminada diariamente pelos arcos da fortuna do Mc Donald´s.
Pensei na programação de TV aberta e me irritei, de novo, com a falta de opções. Por que não passa uma novela boa??? Ou então um filmezinho triste pra eu chorar? Mas nada... chorar mesmo só vendo as notícias das tragédias que agora acontecem no atacado. Mortos se contam aos milhares, prejuízos aos bilhões, uma coisa louca.
Mas daí deu um ventinho bom, tão fresquinho que eu me desliguei da TV e olhei para o tanto de luzes acesas nas casas vizinhas e fiz uma coisa que eu adoro. Comecei a tentar imaginar cada casa. Cada casa tem uma família – ou 1 pessoa – com interesses, felicidades, preocupações diferentes das minhas, mas ao contrário de mim, não tem mais ninguém na janela, olhando a toa.
Eu gosto de ficar pensando como cada pessoa sempre reage de maneira diferente a cada coisa que acontece.
Outra coisa que eu gosto é de olhar um ônibus cheio. Cada caboclinho que está ali dentro saiu de uma casa diferente, fez coisas diferentes, está pensando em coisas diferentes e indo cada um para um destino diferente. Uns para o trabalho – todos diferentes – outros para escola. Uns vão namorar, descansar, comprar, pagar. Isso é muito massa!!! Me fascina!!
E foi sem querer que eu pensei naquela boca, naqueles braços e naquelas mãos. Chega fechei os olhos e dei até um suspiro, mas quando eu abri o os olhos eu vi uma luzinha piscando. Me deu de novo aquela esperança que eu tenho todas as vezes que isso acontece, de que a luzinha fosse um disco voador.
Ah! Se fosse um disco voador eu ia ficar tão feliz. Tão absurdamente feliz!!! Ia confirmar que não é só isso. Que não acaba aqui. Que tem muito mais. Nossa! Eu ia ficar feliz!
Mas a luzinha era um avião que estava alto demais pra me fazer sentir qualquer coisa, até medo.
Agradeci a um Deus qualquer por ser um ser pensante e fechei a janela antes que meus pensamentos fossem todos de carona com o avião. E antes de entrar algum pernilongo no meu quarto.
terça-feira, junho 20, 2006
bom
Isso não pode. Tem que haver ética nas coisas.
Eu não posso sair por aí me apaixonando descriteriosamente. Tem que ter critério!
Mas é que ele me parece tão bom... por baixo daquela aparência frágil... Bom! E suas estórias... Bom! E do pouco que eu sei... Bom! Mas pode também ser tudo fruto da minha imunda imaginação, que – de novo – sem nada pra fazer fica imaginando sem escrúpulos e ... Bom!
É, pode até ser... mas é bom!
Eu não posso sair por aí me apaixonando descriteriosamente. Tem que ter critério!
Mas é que ele me parece tão bom... por baixo daquela aparência frágil... Bom! E suas estórias... Bom! E do pouco que eu sei... Bom! Mas pode também ser tudo fruto da minha imunda imaginação, que – de novo – sem nada pra fazer fica imaginando sem escrúpulos e ... Bom!
É, pode até ser... mas é bom!
segunda-feira, junho 12, 2006
in-feliz dia dos namorados
Dia infeliz essa tal dia dos namorados...
Forma bruta de o comércio te convencer a se render a um padrão de sociedade que nem sempre lhe convém.
Forma cruel de a sociedade te lembrar que, ou você está como todos os outros casais no dia de hoje, feliz, fazendo um programa romântico, ganhando e dando presentes ou, por outro lado tendo a sua solidão esfregada em sua cara.
Não tem como disfarçar. Em qualquer outro dia do ano você não precisa necessariamente de um par para se divertir. Você pode comemorar o reveillon com seus amigos, o natal com seus parentes, seu aniversário com todos os seus conhecidos. Mesmo que você não tenha mãe, por exemplo, sempre vai ter uma tia ou uma avó para você comemorar com ela o dia das mães, mas esse infeliz dia dos namorados não tem como. Se você não tem um(a) namorado(a) você está fadado a passar sozinha(o) esta noite.
Sim, você verá seus amigos comemorando, as mulheres nos ônibus e nos metrôs carregando com dificuldade seus gigantescos buquês de flores. Na sua volta pra casa você vai passar por filas quilométricas em restaurantes e motéis e vai invejar aqueles casais felizes.
Sim, você sabe, já passou por isso afinal, que os namoros não são assim, toda essa maravilha, eles têm problemas. Você sabe que uma vez namorando, sempre vai querer um tempo sozinha(o) ou só com seus amigos. Sabe também que nada é tão chato quanto esperar em filas, mesmo sendo elas de restaurantes chiques ou motéis badalados. Mas hoje, sabe com toda certeza que depois de trabalhar o dia todo e chegar em casa cansada(o), ainda assim não vai conseguir fechar seus olhos e dormir pois esta noite a sua solidão vai te mahucar mais que nas outras. Sabe que hoje vai ser mais difícil dormir sozinha(o). Maldito. Infeliz dia dos namorados. Dia dos mau humorados.
Forma bruta de o comércio te convencer a se render a um padrão de sociedade que nem sempre lhe convém.
Forma cruel de a sociedade te lembrar que, ou você está como todos os outros casais no dia de hoje, feliz, fazendo um programa romântico, ganhando e dando presentes ou, por outro lado tendo a sua solidão esfregada em sua cara.
Não tem como disfarçar. Em qualquer outro dia do ano você não precisa necessariamente de um par para se divertir. Você pode comemorar o reveillon com seus amigos, o natal com seus parentes, seu aniversário com todos os seus conhecidos. Mesmo que você não tenha mãe, por exemplo, sempre vai ter uma tia ou uma avó para você comemorar com ela o dia das mães, mas esse infeliz dia dos namorados não tem como. Se você não tem um(a) namorado(a) você está fadado a passar sozinha(o) esta noite.
Sim, você verá seus amigos comemorando, as mulheres nos ônibus e nos metrôs carregando com dificuldade seus gigantescos buquês de flores. Na sua volta pra casa você vai passar por filas quilométricas em restaurantes e motéis e vai invejar aqueles casais felizes.
Sim, você sabe, já passou por isso afinal, que os namoros não são assim, toda essa maravilha, eles têm problemas. Você sabe que uma vez namorando, sempre vai querer um tempo sozinha(o) ou só com seus amigos. Sabe também que nada é tão chato quanto esperar em filas, mesmo sendo elas de restaurantes chiques ou motéis badalados. Mas hoje, sabe com toda certeza que depois de trabalhar o dia todo e chegar em casa cansada(o), ainda assim não vai conseguir fechar seus olhos e dormir pois esta noite a sua solidão vai te mahucar mais que nas outras. Sabe que hoje vai ser mais difícil dormir sozinha(o). Maldito. Infeliz dia dos namorados. Dia dos mau humorados.
segunda-feira, junho 05, 2006
rimando (?)
E é tão difícil acordar
Depois de uma noite mal dormida
Fritando nos lençóis da cama
De um lado para o outro
Sem parar de pensar.
Mas na hora devida
O despertador me tira dali
E me força a encarar a lida
Que começa mais um dia
Sem querer saber como eu dormi.
É duro abrir os olhos
E saber o que vem pela frente
Abro a janela, desligo o ventilador
Ligo a TV e tomo um banho quente
Que é pra ver se eu me animo
De banho tomado, agora tão fresquinha
A vontade é de deitar de novo
E dormir, por que o sono
Que fugiu de mim a noite toda
Agora teima em vir
Mas é preciso que eu vá
Tem café pra eu tomar
O ônibus pra eu pegar
Minhas coisas pra fazer
E há de dar tempo de voltar
Voltar e pensar em você
Olhando suas fotos e lendo suas cartas
Sentindo o seu perfume e
Ouvindo aquela música
Que um dia ouvi você me ofertar
Mas não adianta por que você está longe
O que eu queria era beijar a sua boca
Passar a mão no seu cabelo
E ouvir de você mesmo
Que nunca deveria ter ido.
Que se arrepende absurdo
Que desaprendeu a viver sem mim
Que não consegue passar pelo mundo
Nesse tormento sem fim
De viver na solidão, assim
Mas quando eu dou por mim
Estou de novo sozinha na cama
Com o pranto brotando no fundo
E explodindo pelos meus olhos
Rolando pelo meu rosto
As lágrimas escorrem como um rio
Que tem um leito certo
Mas na hora de desaguar
Não encontra o mar por perto
E fica perdido a esmo
Ciente da minha condição
Ponho-me a escrever
Somente coisas do coração
Até a minha mão doer
E chega. Hora de dormir
Tomo um comprimido (daqueles cor de rosa)
Podia ser até pra me alegrar
Mas eu nem espero tanto
Só quero dormir sem sonhar
E que amanhã seja mais fácil.
Depois de uma noite mal dormida
Fritando nos lençóis da cama
De um lado para o outro
Sem parar de pensar.
Mas na hora devida
O despertador me tira dali
E me força a encarar a lida
Que começa mais um dia
Sem querer saber como eu dormi.
É duro abrir os olhos
E saber o que vem pela frente
Abro a janela, desligo o ventilador
Ligo a TV e tomo um banho quente
Que é pra ver se eu me animo
De banho tomado, agora tão fresquinha
A vontade é de deitar de novo
E dormir, por que o sono
Que fugiu de mim a noite toda
Agora teima em vir
Mas é preciso que eu vá
Tem café pra eu tomar
O ônibus pra eu pegar
Minhas coisas pra fazer
E há de dar tempo de voltar
Voltar e pensar em você
Olhando suas fotos e lendo suas cartas
Sentindo o seu perfume e
Ouvindo aquela música
Que um dia ouvi você me ofertar
Mas não adianta por que você está longe
O que eu queria era beijar a sua boca
Passar a mão no seu cabelo
E ouvir de você mesmo
Que nunca deveria ter ido.
Que se arrepende absurdo
Que desaprendeu a viver sem mim
Que não consegue passar pelo mundo
Nesse tormento sem fim
De viver na solidão, assim
Mas quando eu dou por mim
Estou de novo sozinha na cama
Com o pranto brotando no fundo
E explodindo pelos meus olhos
Rolando pelo meu rosto
As lágrimas escorrem como um rio
Que tem um leito certo
Mas na hora de desaguar
Não encontra o mar por perto
E fica perdido a esmo
Ciente da minha condição
Ponho-me a escrever
Somente coisas do coração
Até a minha mão doer
E chega. Hora de dormir
Tomo um comprimido (daqueles cor de rosa)
Podia ser até pra me alegrar
Mas eu nem espero tanto
Só quero dormir sem sonhar
E que amanhã seja mais fácil.
sexta-feira, junho 02, 2006
boca aberta
Os olhos semi-cerrados que imploram por prazer.
A boca semi-aberta roga por um beijo.
A mão crispada clama por apoio.
Meu coração aberto espera por você.
Meus olhos se fecham e minhas mãos agarram as suas.
E minha boca se abre.
A boca semi-aberta roga por um beijo.
A mão crispada clama por apoio.
Meu coração aberto espera por você.
Meus olhos se fecham e minhas mãos agarram as suas.
E minha boca se abre.
quarta-feira, maio 31, 2006
vozes da minha cabeça
Como é que pode? Eu nesse silêncio sem fim e quase fico louca como barulho ensurdecedor que fazem as vozes da minha cabeça. Elas gritam, riem, choram e falam, como falam. São muitas e falam coisas controversas e me confundem. Não sei se devo ouvi-las. Poderia só escutar mesmo essa zoeira delas e não fazer nada, mas eu insisto em ouvi-las.
segunda-feira, maio 29, 2006
o gosto
Me dói pensar que às vezes já é tarde demais pra que algo seja feito. Não há o que mudar. Fatos são fatos e o que eu queria que acontecesse não passa de um filme produzido pela minha imaginação. Minha imunda imaginação. Tarde demais pra se voltar atrás mesmo quando o sofrimento é maior que o prazer.
Antes não tivesse eu provado o gosto doce da sua boca e o sabor inesquecível da sua carne. Agora me resta o amargo da sua ausência. O amargo da minha boca sozinha.
Mas nada vai mudar, nada adianta mais. Eu perdi.
Eu só queria saber se você tem noção do que você fez comigo, com o meu coração. Do que a gente poderia ter sido.
Mas é tarde demais e nem o que você sente eu vou poder saber agora. Amargo e dolorido.
Antes não tivesse eu provado o gosto doce da sua boca e o sabor inesquecível da sua carne. Agora me resta o amargo da sua ausência. O amargo da minha boca sozinha.
Mas nada vai mudar, nada adianta mais. Eu perdi.
Eu só queria saber se você tem noção do que você fez comigo, com o meu coração. Do que a gente poderia ter sido.
Mas é tarde demais e nem o que você sente eu vou poder saber agora. Amargo e dolorido.
quinta-feira, maio 25, 2006
certidão negativa - com créditos
nego a ambição estelar
nego livros que ensinam a amar
nego sorrisos pela metade
nego de gente-bem a sociabilidade
nego selos presidenciais e reais
nego tudo que seja demais
(abro exceção ao macarrão)
nego tudo que for de menos
nego sentimentos serenos
nego meus medos
(tantos que não conto nos dedos)
nego médicos de branco
nego aos amigos meu pranto
nego dos felizes a sanidade
nego toda e qualquer verdade
nego declarações levianas
nego gosto de fome e bombas
nego a imensidão sideral
nego os anéis de saturno na vertical
(não sei do chão do universo)
nego o verso e o reverso
nego o teu design
nego aderir ao marketing
nego fazer merchandising
nego tua falta de feeling
nego-me a sofrer teu knock-out
nego as tuas respostas
nego todas estas bostas
nego que o mundo seja possível
(reconheço que sou irascível)
nego forma e conceito
pergunta-me, eu te nego
prefiro brincar de lego
não vou viver do teu jeito
Nelson Gesualdi
nego livros que ensinam a amar
nego sorrisos pela metade
nego de gente-bem a sociabilidade
nego selos presidenciais e reais
nego tudo que seja demais
(abro exceção ao macarrão)
nego tudo que for de menos
nego sentimentos serenos
nego meus medos
(tantos que não conto nos dedos)
nego médicos de branco
nego aos amigos meu pranto
nego dos felizes a sanidade
nego toda e qualquer verdade
nego declarações levianas
nego gosto de fome e bombas
nego a imensidão sideral
nego os anéis de saturno na vertical
(não sei do chão do universo)
nego o verso e o reverso
nego o teu design
nego aderir ao marketing
nego fazer merchandising
nego tua falta de feeling
nego-me a sofrer teu knock-out
nego as tuas respostas
nego todas estas bostas
nego que o mundo seja possível
(reconheço que sou irascível)
nego forma e conceito
pergunta-me, eu te nego
prefiro brincar de lego
não vou viver do teu jeito
Nelson Gesualdi
terça-feira, maio 23, 2006
instinto
Existe uma parte de mim que dói quando eu te vejo. Ela dói mais ainda quando eu te vejo e não posso te beijar.
Eu queria te beijar o tempo todo. O seu beijo é tão bom! A sua boca macia, sua língua quente, sua barba que me arranha. Sua mão que me segura com força. Seus braços que me apertam... Nós tínhamos que nos beijar toda vez que nos encontrássemos.
Eu não gosto de sentir o desconforto de não saber o que fazer com as mãos. De não saber que rumo dar para o meu olhar. De controlar meus instintos e não ir pra cima de você. O natural não é esse.
Eu queria te beijar o tempo todo. O seu beijo é tão bom! A sua boca macia, sua língua quente, sua barba que me arranha. Sua mão que me segura com força. Seus braços que me apertam... Nós tínhamos que nos beijar toda vez que nos encontrássemos.
Eu não gosto de sentir o desconforto de não saber o que fazer com as mãos. De não saber que rumo dar para o meu olhar. De controlar meus instintos e não ir pra cima de você. O natural não é esse.
quarta-feira, maio 17, 2006
seu cheiro
De repente me veio o seu cheiro. Aquele que eu gosto tanto. O cheiro que você tem quando você chega. Na verdade, o cheiro do seu perfume. Um cheiro que vem de perto do seu pescoço. Esse cheiro me traz tanta coisa boa!!! E, sabe que pensando no cheiro do seu perfume, me veio agora o seu cheiro. O seu mesmo, o da sua pele. Um cheiro que nenhum outro ser humano tem. Um cheiro que eu seria capaz de farejar a metros, quilômetros, de uma forma totalmente animal, selvagem. O cheiro que tem suas costas quando depois e a sua bochecha quando antes.
E engraçado é que começam a me vir os seus cheiros sem parar... seus sons.
Eu conheço o cheiro do seu hálito, cheiro dos seus cabelos, das suas roupas, do interior do seu carro e até da sua casa.
Conheço o som de você dormindo, rindo, falando, resmungando, seus instrumentos, suas táticas, manhas e artimanhas.
Eu te conheço mais do que você pode imaginar. Eu sei o que você quer me dizer com suas meias palavras e atitudes disfarçadas. Te conheço muito melhor do que você pode imaginar
E engraçado é que começam a me vir os seus cheiros sem parar... seus sons.
Eu conheço o cheiro do seu hálito, cheiro dos seus cabelos, das suas roupas, do interior do seu carro e até da sua casa.
Conheço o som de você dormindo, rindo, falando, resmungando, seus instrumentos, suas táticas, manhas e artimanhas.
Eu te conheço mais do que você pode imaginar. Eu sei o que você quer me dizer com suas meias palavras e atitudes disfarçadas. Te conheço muito melhor do que você pode imaginar
quinta-feira, maio 11, 2006
suspiro
Acabei de comer o melhor suspiro do mundo. Pode ser por que eu estou tentando – de novo – fazer dieta, mas foi, assim, como um néctar dos deuses. Sabe assim, aquele suspiro que tem uma casquinha fina e bem douradinha que quebra só com a intenção de seu dente morder? Então, era assim. E ele quebrava todo mesmo. Era até difícil de segurar. Chegou a cair um pedacinho no chão. Mas aí, depois da casca, ele era desses suspiros que ficam com um cremezinho dentro. Mas não era bem um merengue daqueles que a gente mastiga e fica meio puxando, meio chiclete, não. Era um creme mesmo. Por incrível que pareça não estava muito doce – o que é uma condição primordial para que eu goste de um doce – e no finalzinho vinha um gostinho de limão. Tenho que admitir que não consegui comer um só. Comi dois! E o segundo estava igualmente perfeito. Um suspiro que merece um suspiro. Que suspiro! Um suspiro de Vó. Da minha Vó. E foi bem ela mesma que fez, quando veio aqui em casa hoje pela manhã enquanto eu estava muito ocupada trabalhando e me estressando e não pude abraçar e beijar e cheirar o cangote dela e dizer que ela é uma vovozinha amada e que faz o melhor suspiro do mundo!
domingo, maio 07, 2006
só
Tudo parece vazio quando se faz comparação com o que já passou.
Lembranças...
De tudo, o que resta é memória.
Tantos dos meus amores que duraram para sempre e já passaram. Mas foram eternos! E estão na memória. Na lembrança e no nada.
No que já acabou, no que, sabe lá se ainda está por vir.
E volta a ficar oco e vazio.
E só
Lembranças...
De tudo, o que resta é memória.
Tantos dos meus amores que duraram para sempre e já passaram. Mas foram eternos! E estão na memória. Na lembrança e no nada.
No que já acabou, no que, sabe lá se ainda está por vir.
E volta a ficar oco e vazio.
E só
quinta-feira, maio 04, 2006
palavras
Olhar. Sorriso. Mão. Beijo. Abraço. Sofá. Tv. Cafuné. Braços. Carinhos. Cheiro. Beijo. Beijo. Tv. Conversa. Piada. Estórias. Atenção. Beijo. Cozinha. Coca-cola. Conversa. Tv. Risos. Risos. Beijos. Beijos. Calor. Ventilador. Beijos. Carinhos. Luz. Beijos. Carinho. Calor. Bom. Quente. Orelha. Beijos. Carinhos. Pé. Carinhos. Braço. Quente. Quente. Beijos. Cabelo. Beijos. Cheiro. Cheiro. Pescoço. Dente. Cheiro. Beijo. Carinho. Olho. Sorriso. Carinho. Risos. Barulhos. Silêncios. Quente. Beijos. Amor. Igual. Igual. Beijo. Beijo. Bom. Amor. Cabeça. Coração. Amor. Bom. Beijo. Carinho. Cafuné. Quente. Pesado. Bom. Beijo. Carinho. Sono. Cafuné. Encaixe. Braço. Travesseiro. Bom. Beijo. Sono. Sonho. Mão. Cabelo. Cafuné. Carinho. Carinho. Olhos. Olhos. Carinho. Quente. Ventilador. Sono. Sono. Sono. Despertador. Beijo. Sono. Olhos. Beijo. Roupas. Chaves. Porta. Portão. Carro. Farol. Escada. Banho. Cama. Caderno. Caneta. Travesseiro. Telefone. Sono. Amanhã.
domingo, abril 30, 2006
vou escrever
Acho que vou escrever uma poesia. Traduzir meus sentimentos em rimas e métricas. Vou rimar amor com dor, saudade com vontade e beijo com desejo.
Ou eu posso escrever de vez uma carta de amor onde eu te conto que meu amor é tão grande que de vez em quando dói. Que todos os dias eu acordo com saudade e durmo com vontade de você. E que sonho o tempo todo como seu beijo, o único remédio para o meu desejo.
Ou então vou te falar logo tudo que eu sinto. Assim, de uma vez só. Vou procurar o momento certo e te falar.
Ou eu posso escrever de vez uma carta de amor onde eu te conto que meu amor é tão grande que de vez em quando dói. Que todos os dias eu acordo com saudade e durmo com vontade de você. E que sonho o tempo todo como seu beijo, o único remédio para o meu desejo.
Ou então vou te falar logo tudo que eu sinto. Assim, de uma vez só. Vou procurar o momento certo e te falar.
sábado, abril 29, 2006
copiado, com os devidos créditos
Minha vida tem um buraco que não sei de que é feito. Era para tudo ser muito fácil, mas eu encasquetei de fazer tudo do jeito mais difícil. Meu problema sou só eu. Não me odeie por eu ser assim. Eu tenho a culpa de todas as culpas e, as que não tenho, tomo para mim. Eu tenho crises de segunda a noite porque me dá um vazio de não me achar. Eu tenho crises de quarta porque me achei e não gostei. Tem quem me ache sublime por tão alegre e tão melancólica assim. Eu me acho insuportável. Ok, e ao mesmo tempo a pessoa mais legal do mundo.
Eu não gosto que me escolham caminhos e fico puta porque há um tempo tenho deixado a vida escolher. Eu tenho tudo e às vezes me sinto completamente sem nada só porque a chuva cai e o sol não brilha. E se brilha, tem o maldito tom de amarelo a que eu chamo de pureza. Que eu já não sei se sei distinguir. Eu tenho medo de crescer e ao mesmo tempo cresci rápido demais. Eu me afobo e paro. Mas quando paro, fico afobada, porque acho que o tempo passou e eu não fui junto.
Porque você gosta de mim? Você me perguntou e se perguntou isso em um recado de voz. Eu não sei responder. Você gosta de mim por tudo o que eu sou e por tudo o que eu não sou. E eu sofro, porque não sei ser não sendo. Não ser é ser sem escolher. E eu gosto de escolher, lembra?
De verdade? Não sei porque te falo tudo isso. Acho que quero te convencer de uma vez que eu sou louca para poder agir feito uma sem o medo de de repente você descobrir que eu sou louca e de repente não gostar mais de mim. Ou quero te convencer que não existe porque gostar de mim. Só porque sou louca.
Você me pediu para escrever um poema para você. Mas para escrever poema, tem um lado meu que precisa de férias dos dedos ávidos por palavras que façam sentido sem beleza. Porque, afinal, as vezes eu acredito em beleza, as vezes não.
Sabe porque eu não me encontro? Porque por definição eu sou contraditória e quem é contraditória não pode se definir. Se não me defino, não sei quem sou, não me encontro. Mas se deixo de ser contraditória, deixo de ser eu e, logo, também não me encontro.
Me explica, porque você encanou de me encontrar?
- Myla Verzola -
Eu não gosto que me escolham caminhos e fico puta porque há um tempo tenho deixado a vida escolher. Eu tenho tudo e às vezes me sinto completamente sem nada só porque a chuva cai e o sol não brilha. E se brilha, tem o maldito tom de amarelo a que eu chamo de pureza. Que eu já não sei se sei distinguir. Eu tenho medo de crescer e ao mesmo tempo cresci rápido demais. Eu me afobo e paro. Mas quando paro, fico afobada, porque acho que o tempo passou e eu não fui junto.
Porque você gosta de mim? Você me perguntou e se perguntou isso em um recado de voz. Eu não sei responder. Você gosta de mim por tudo o que eu sou e por tudo o que eu não sou. E eu sofro, porque não sei ser não sendo. Não ser é ser sem escolher. E eu gosto de escolher, lembra?
De verdade? Não sei porque te falo tudo isso. Acho que quero te convencer de uma vez que eu sou louca para poder agir feito uma sem o medo de de repente você descobrir que eu sou louca e de repente não gostar mais de mim. Ou quero te convencer que não existe porque gostar de mim. Só porque sou louca.
Você me pediu para escrever um poema para você. Mas para escrever poema, tem um lado meu que precisa de férias dos dedos ávidos por palavras que façam sentido sem beleza. Porque, afinal, as vezes eu acredito em beleza, as vezes não.
Sabe porque eu não me encontro? Porque por definição eu sou contraditória e quem é contraditória não pode se definir. Se não me defino, não sei quem sou, não me encontro. Mas se deixo de ser contraditória, deixo de ser eu e, logo, também não me encontro.
Me explica, porque você encanou de me encontrar?
- Myla Verzola -
quantas
Quantas luas eu vi hoje nesse céu de estrelas que tremem e piscam e fogem dos meus dedos que as querem contar?
E quantos eram mesmo aqueles pássaros grandes e negros que planavam ao redor de uma torre alta como se hipnotizados ou atraídos por uma radiação ou um ímã?
Quantas pessoas vieram na direção contrária, como que peixes contra a correnteza do rio para desovar, na saída do metrô, quando uma onda de gente distraída e com pressa anda sem olhar para os lados?
Quantas, das milhões de vezes que o meu pensamento foi te buscar, ele te trouxe de volta ou pelo menos chegou em um momento em que você pensava em mim?
E quantos eram mesmo aqueles pássaros grandes e negros que planavam ao redor de uma torre alta como se hipnotizados ou atraídos por uma radiação ou um ímã?
Quantas pessoas vieram na direção contrária, como que peixes contra a correnteza do rio para desovar, na saída do metrô, quando uma onda de gente distraída e com pressa anda sem olhar para os lados?
Quantas, das milhões de vezes que o meu pensamento foi te buscar, ele te trouxe de volta ou pelo menos chegou em um momento em que você pensava em mim?
quinta-feira, abril 27, 2006
tão
Tão, tão absurdamente cansada. Tão absurdamente sozinha.
Eu poderia pedir alguma coisa pra alguém, mas quem?
Quem me alcançaria? E eu? Esperaria por alguém?
Hoje não dá. Hoje não.
Eu poderia pedir alguma coisa pra alguém, mas quem?
Quem me alcançaria? E eu? Esperaria por alguém?
Hoje não dá. Hoje não.
segunda-feira, abril 24, 2006
espera
O tempo passa e você não vem. Demora e nunca vem. Quando sem você, o tempo não passa, o dia não anda, a chuva não cai, o sol não cessa.
Um minuto teima em virar três.
A música nunca acaba.
Tudo em looping. Outro dia começa e tudo parece igual e você não vem.
Os carros mal passam lá fora. E até o vento se recusa a ventar.
A espera angustiante quase me mata. Parece que passou um mês e você não vem. E o pior é que ainda é hoje e nada de você.
Meu calor aumenta, minha sede é infinita e eu preciso beber seu beijo, mas cadê? Você não chega nunca?
A casa é pequena, a cama desconfortável e nada de você pra eu me aninhar em seus braços. Onde está você?
Oba! Você chegou!
Um minuto teima em virar três.
A música nunca acaba.
Tudo em looping. Outro dia começa e tudo parece igual e você não vem.
Os carros mal passam lá fora. E até o vento se recusa a ventar.
A espera angustiante quase me mata. Parece que passou um mês e você não vem. E o pior é que ainda é hoje e nada de você.
Meu calor aumenta, minha sede é infinita e eu preciso beber seu beijo, mas cadê? Você não chega nunca?
A casa é pequena, a cama desconfortável e nada de você pra eu me aninhar em seus braços. Onde está você?
Oba! Você chegou!
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