quarta-feira, maio 31, 2006
vozes da minha cabeça
Como é que pode? Eu nesse silêncio sem fim e quase fico louca como barulho ensurdecedor que fazem as vozes da minha cabeça. Elas gritam, riem, choram e falam, como falam. São muitas e falam coisas controversas e me confundem. Não sei se devo ouvi-las. Poderia só escutar mesmo essa zoeira delas e não fazer nada, mas eu insisto em ouvi-las.
segunda-feira, maio 29, 2006
o gosto
Me dói pensar que às vezes já é tarde demais pra que algo seja feito. Não há o que mudar. Fatos são fatos e o que eu queria que acontecesse não passa de um filme produzido pela minha imaginação. Minha imunda imaginação. Tarde demais pra se voltar atrás mesmo quando o sofrimento é maior que o prazer.
Antes não tivesse eu provado o gosto doce da sua boca e o sabor inesquecível da sua carne. Agora me resta o amargo da sua ausência. O amargo da minha boca sozinha.
Mas nada vai mudar, nada adianta mais. Eu perdi.
Eu só queria saber se você tem noção do que você fez comigo, com o meu coração. Do que a gente poderia ter sido.
Mas é tarde demais e nem o que você sente eu vou poder saber agora. Amargo e dolorido.
Antes não tivesse eu provado o gosto doce da sua boca e o sabor inesquecível da sua carne. Agora me resta o amargo da sua ausência. O amargo da minha boca sozinha.
Mas nada vai mudar, nada adianta mais. Eu perdi.
Eu só queria saber se você tem noção do que você fez comigo, com o meu coração. Do que a gente poderia ter sido.
Mas é tarde demais e nem o que você sente eu vou poder saber agora. Amargo e dolorido.
quinta-feira, maio 25, 2006
certidão negativa - com créditos
nego a ambição estelar
nego livros que ensinam a amar
nego sorrisos pela metade
nego de gente-bem a sociabilidade
nego selos presidenciais e reais
nego tudo que seja demais
(abro exceção ao macarrão)
nego tudo que for de menos
nego sentimentos serenos
nego meus medos
(tantos que não conto nos dedos)
nego médicos de branco
nego aos amigos meu pranto
nego dos felizes a sanidade
nego toda e qualquer verdade
nego declarações levianas
nego gosto de fome e bombas
nego a imensidão sideral
nego os anéis de saturno na vertical
(não sei do chão do universo)
nego o verso e o reverso
nego o teu design
nego aderir ao marketing
nego fazer merchandising
nego tua falta de feeling
nego-me a sofrer teu knock-out
nego as tuas respostas
nego todas estas bostas
nego que o mundo seja possível
(reconheço que sou irascível)
nego forma e conceito
pergunta-me, eu te nego
prefiro brincar de lego
não vou viver do teu jeito
Nelson Gesualdi
nego livros que ensinam a amar
nego sorrisos pela metade
nego de gente-bem a sociabilidade
nego selos presidenciais e reais
nego tudo que seja demais
(abro exceção ao macarrão)
nego tudo que for de menos
nego sentimentos serenos
nego meus medos
(tantos que não conto nos dedos)
nego médicos de branco
nego aos amigos meu pranto
nego dos felizes a sanidade
nego toda e qualquer verdade
nego declarações levianas
nego gosto de fome e bombas
nego a imensidão sideral
nego os anéis de saturno na vertical
(não sei do chão do universo)
nego o verso e o reverso
nego o teu design
nego aderir ao marketing
nego fazer merchandising
nego tua falta de feeling
nego-me a sofrer teu knock-out
nego as tuas respostas
nego todas estas bostas
nego que o mundo seja possível
(reconheço que sou irascível)
nego forma e conceito
pergunta-me, eu te nego
prefiro brincar de lego
não vou viver do teu jeito
Nelson Gesualdi
terça-feira, maio 23, 2006
instinto
Existe uma parte de mim que dói quando eu te vejo. Ela dói mais ainda quando eu te vejo e não posso te beijar.
Eu queria te beijar o tempo todo. O seu beijo é tão bom! A sua boca macia, sua língua quente, sua barba que me arranha. Sua mão que me segura com força. Seus braços que me apertam... Nós tínhamos que nos beijar toda vez que nos encontrássemos.
Eu não gosto de sentir o desconforto de não saber o que fazer com as mãos. De não saber que rumo dar para o meu olhar. De controlar meus instintos e não ir pra cima de você. O natural não é esse.
Eu queria te beijar o tempo todo. O seu beijo é tão bom! A sua boca macia, sua língua quente, sua barba que me arranha. Sua mão que me segura com força. Seus braços que me apertam... Nós tínhamos que nos beijar toda vez que nos encontrássemos.
Eu não gosto de sentir o desconforto de não saber o que fazer com as mãos. De não saber que rumo dar para o meu olhar. De controlar meus instintos e não ir pra cima de você. O natural não é esse.
quarta-feira, maio 17, 2006
seu cheiro
De repente me veio o seu cheiro. Aquele que eu gosto tanto. O cheiro que você tem quando você chega. Na verdade, o cheiro do seu perfume. Um cheiro que vem de perto do seu pescoço. Esse cheiro me traz tanta coisa boa!!! E, sabe que pensando no cheiro do seu perfume, me veio agora o seu cheiro. O seu mesmo, o da sua pele. Um cheiro que nenhum outro ser humano tem. Um cheiro que eu seria capaz de farejar a metros, quilômetros, de uma forma totalmente animal, selvagem. O cheiro que tem suas costas quando depois e a sua bochecha quando antes.
E engraçado é que começam a me vir os seus cheiros sem parar... seus sons.
Eu conheço o cheiro do seu hálito, cheiro dos seus cabelos, das suas roupas, do interior do seu carro e até da sua casa.
Conheço o som de você dormindo, rindo, falando, resmungando, seus instrumentos, suas táticas, manhas e artimanhas.
Eu te conheço mais do que você pode imaginar. Eu sei o que você quer me dizer com suas meias palavras e atitudes disfarçadas. Te conheço muito melhor do que você pode imaginar
E engraçado é que começam a me vir os seus cheiros sem parar... seus sons.
Eu conheço o cheiro do seu hálito, cheiro dos seus cabelos, das suas roupas, do interior do seu carro e até da sua casa.
Conheço o som de você dormindo, rindo, falando, resmungando, seus instrumentos, suas táticas, manhas e artimanhas.
Eu te conheço mais do que você pode imaginar. Eu sei o que você quer me dizer com suas meias palavras e atitudes disfarçadas. Te conheço muito melhor do que você pode imaginar
quinta-feira, maio 11, 2006
suspiro
Acabei de comer o melhor suspiro do mundo. Pode ser por que eu estou tentando – de novo – fazer dieta, mas foi, assim, como um néctar dos deuses. Sabe assim, aquele suspiro que tem uma casquinha fina e bem douradinha que quebra só com a intenção de seu dente morder? Então, era assim. E ele quebrava todo mesmo. Era até difícil de segurar. Chegou a cair um pedacinho no chão. Mas aí, depois da casca, ele era desses suspiros que ficam com um cremezinho dentro. Mas não era bem um merengue daqueles que a gente mastiga e fica meio puxando, meio chiclete, não. Era um creme mesmo. Por incrível que pareça não estava muito doce – o que é uma condição primordial para que eu goste de um doce – e no finalzinho vinha um gostinho de limão. Tenho que admitir que não consegui comer um só. Comi dois! E o segundo estava igualmente perfeito. Um suspiro que merece um suspiro. Que suspiro! Um suspiro de Vó. Da minha Vó. E foi bem ela mesma que fez, quando veio aqui em casa hoje pela manhã enquanto eu estava muito ocupada trabalhando e me estressando e não pude abraçar e beijar e cheirar o cangote dela e dizer que ela é uma vovozinha amada e que faz o melhor suspiro do mundo!
domingo, maio 07, 2006
só
Tudo parece vazio quando se faz comparação com o que já passou.
Lembranças...
De tudo, o que resta é memória.
Tantos dos meus amores que duraram para sempre e já passaram. Mas foram eternos! E estão na memória. Na lembrança e no nada.
No que já acabou, no que, sabe lá se ainda está por vir.
E volta a ficar oco e vazio.
E só
Lembranças...
De tudo, o que resta é memória.
Tantos dos meus amores que duraram para sempre e já passaram. Mas foram eternos! E estão na memória. Na lembrança e no nada.
No que já acabou, no que, sabe lá se ainda está por vir.
E volta a ficar oco e vazio.
E só
quinta-feira, maio 04, 2006
palavras
Olhar. Sorriso. Mão. Beijo. Abraço. Sofá. Tv. Cafuné. Braços. Carinhos. Cheiro. Beijo. Beijo. Tv. Conversa. Piada. Estórias. Atenção. Beijo. Cozinha. Coca-cola. Conversa. Tv. Risos. Risos. Beijos. Beijos. Calor. Ventilador. Beijos. Carinhos. Luz. Beijos. Carinho. Calor. Bom. Quente. Orelha. Beijos. Carinhos. Pé. Carinhos. Braço. Quente. Quente. Beijos. Cabelo. Beijos. Cheiro. Cheiro. Pescoço. Dente. Cheiro. Beijo. Carinho. Olho. Sorriso. Carinho. Risos. Barulhos. Silêncios. Quente. Beijos. Amor. Igual. Igual. Beijo. Beijo. Bom. Amor. Cabeça. Coração. Amor. Bom. Beijo. Carinho. Cafuné. Quente. Pesado. Bom. Beijo. Carinho. Sono. Cafuné. Encaixe. Braço. Travesseiro. Bom. Beijo. Sono. Sonho. Mão. Cabelo. Cafuné. Carinho. Carinho. Olhos. Olhos. Carinho. Quente. Ventilador. Sono. Sono. Sono. Despertador. Beijo. Sono. Olhos. Beijo. Roupas. Chaves. Porta. Portão. Carro. Farol. Escada. Banho. Cama. Caderno. Caneta. Travesseiro. Telefone. Sono. Amanhã.
domingo, abril 30, 2006
vou escrever
Acho que vou escrever uma poesia. Traduzir meus sentimentos em rimas e métricas. Vou rimar amor com dor, saudade com vontade e beijo com desejo.
Ou eu posso escrever de vez uma carta de amor onde eu te conto que meu amor é tão grande que de vez em quando dói. Que todos os dias eu acordo com saudade e durmo com vontade de você. E que sonho o tempo todo como seu beijo, o único remédio para o meu desejo.
Ou então vou te falar logo tudo que eu sinto. Assim, de uma vez só. Vou procurar o momento certo e te falar.
Ou eu posso escrever de vez uma carta de amor onde eu te conto que meu amor é tão grande que de vez em quando dói. Que todos os dias eu acordo com saudade e durmo com vontade de você. E que sonho o tempo todo como seu beijo, o único remédio para o meu desejo.
Ou então vou te falar logo tudo que eu sinto. Assim, de uma vez só. Vou procurar o momento certo e te falar.
sábado, abril 29, 2006
copiado, com os devidos créditos
Minha vida tem um buraco que não sei de que é feito. Era para tudo ser muito fácil, mas eu encasquetei de fazer tudo do jeito mais difícil. Meu problema sou só eu. Não me odeie por eu ser assim. Eu tenho a culpa de todas as culpas e, as que não tenho, tomo para mim. Eu tenho crises de segunda a noite porque me dá um vazio de não me achar. Eu tenho crises de quarta porque me achei e não gostei. Tem quem me ache sublime por tão alegre e tão melancólica assim. Eu me acho insuportável. Ok, e ao mesmo tempo a pessoa mais legal do mundo.
Eu não gosto que me escolham caminhos e fico puta porque há um tempo tenho deixado a vida escolher. Eu tenho tudo e às vezes me sinto completamente sem nada só porque a chuva cai e o sol não brilha. E se brilha, tem o maldito tom de amarelo a que eu chamo de pureza. Que eu já não sei se sei distinguir. Eu tenho medo de crescer e ao mesmo tempo cresci rápido demais. Eu me afobo e paro. Mas quando paro, fico afobada, porque acho que o tempo passou e eu não fui junto.
Porque você gosta de mim? Você me perguntou e se perguntou isso em um recado de voz. Eu não sei responder. Você gosta de mim por tudo o que eu sou e por tudo o que eu não sou. E eu sofro, porque não sei ser não sendo. Não ser é ser sem escolher. E eu gosto de escolher, lembra?
De verdade? Não sei porque te falo tudo isso. Acho que quero te convencer de uma vez que eu sou louca para poder agir feito uma sem o medo de de repente você descobrir que eu sou louca e de repente não gostar mais de mim. Ou quero te convencer que não existe porque gostar de mim. Só porque sou louca.
Você me pediu para escrever um poema para você. Mas para escrever poema, tem um lado meu que precisa de férias dos dedos ávidos por palavras que façam sentido sem beleza. Porque, afinal, as vezes eu acredito em beleza, as vezes não.
Sabe porque eu não me encontro? Porque por definição eu sou contraditória e quem é contraditória não pode se definir. Se não me defino, não sei quem sou, não me encontro. Mas se deixo de ser contraditória, deixo de ser eu e, logo, também não me encontro.
Me explica, porque você encanou de me encontrar?
- Myla Verzola -
Eu não gosto que me escolham caminhos e fico puta porque há um tempo tenho deixado a vida escolher. Eu tenho tudo e às vezes me sinto completamente sem nada só porque a chuva cai e o sol não brilha. E se brilha, tem o maldito tom de amarelo a que eu chamo de pureza. Que eu já não sei se sei distinguir. Eu tenho medo de crescer e ao mesmo tempo cresci rápido demais. Eu me afobo e paro. Mas quando paro, fico afobada, porque acho que o tempo passou e eu não fui junto.
Porque você gosta de mim? Você me perguntou e se perguntou isso em um recado de voz. Eu não sei responder. Você gosta de mim por tudo o que eu sou e por tudo o que eu não sou. E eu sofro, porque não sei ser não sendo. Não ser é ser sem escolher. E eu gosto de escolher, lembra?
De verdade? Não sei porque te falo tudo isso. Acho que quero te convencer de uma vez que eu sou louca para poder agir feito uma sem o medo de de repente você descobrir que eu sou louca e de repente não gostar mais de mim. Ou quero te convencer que não existe porque gostar de mim. Só porque sou louca.
Você me pediu para escrever um poema para você. Mas para escrever poema, tem um lado meu que precisa de férias dos dedos ávidos por palavras que façam sentido sem beleza. Porque, afinal, as vezes eu acredito em beleza, as vezes não.
Sabe porque eu não me encontro? Porque por definição eu sou contraditória e quem é contraditória não pode se definir. Se não me defino, não sei quem sou, não me encontro. Mas se deixo de ser contraditória, deixo de ser eu e, logo, também não me encontro.
Me explica, porque você encanou de me encontrar?
- Myla Verzola -
quantas
Quantas luas eu vi hoje nesse céu de estrelas que tremem e piscam e fogem dos meus dedos que as querem contar?
E quantos eram mesmo aqueles pássaros grandes e negros que planavam ao redor de uma torre alta como se hipnotizados ou atraídos por uma radiação ou um ímã?
Quantas pessoas vieram na direção contrária, como que peixes contra a correnteza do rio para desovar, na saída do metrô, quando uma onda de gente distraída e com pressa anda sem olhar para os lados?
Quantas, das milhões de vezes que o meu pensamento foi te buscar, ele te trouxe de volta ou pelo menos chegou em um momento em que você pensava em mim?
E quantos eram mesmo aqueles pássaros grandes e negros que planavam ao redor de uma torre alta como se hipnotizados ou atraídos por uma radiação ou um ímã?
Quantas pessoas vieram na direção contrária, como que peixes contra a correnteza do rio para desovar, na saída do metrô, quando uma onda de gente distraída e com pressa anda sem olhar para os lados?
Quantas, das milhões de vezes que o meu pensamento foi te buscar, ele te trouxe de volta ou pelo menos chegou em um momento em que você pensava em mim?
quinta-feira, abril 27, 2006
tão
Tão, tão absurdamente cansada. Tão absurdamente sozinha.
Eu poderia pedir alguma coisa pra alguém, mas quem?
Quem me alcançaria? E eu? Esperaria por alguém?
Hoje não dá. Hoje não.
Eu poderia pedir alguma coisa pra alguém, mas quem?
Quem me alcançaria? E eu? Esperaria por alguém?
Hoje não dá. Hoje não.
segunda-feira, abril 24, 2006
espera
O tempo passa e você não vem. Demora e nunca vem. Quando sem você, o tempo não passa, o dia não anda, a chuva não cai, o sol não cessa.
Um minuto teima em virar três.
A música nunca acaba.
Tudo em looping. Outro dia começa e tudo parece igual e você não vem.
Os carros mal passam lá fora. E até o vento se recusa a ventar.
A espera angustiante quase me mata. Parece que passou um mês e você não vem. E o pior é que ainda é hoje e nada de você.
Meu calor aumenta, minha sede é infinita e eu preciso beber seu beijo, mas cadê? Você não chega nunca?
A casa é pequena, a cama desconfortável e nada de você pra eu me aninhar em seus braços. Onde está você?
Oba! Você chegou!
Um minuto teima em virar três.
A música nunca acaba.
Tudo em looping. Outro dia começa e tudo parece igual e você não vem.
Os carros mal passam lá fora. E até o vento se recusa a ventar.
A espera angustiante quase me mata. Parece que passou um mês e você não vem. E o pior é que ainda é hoje e nada de você.
Meu calor aumenta, minha sede é infinita e eu preciso beber seu beijo, mas cadê? Você não chega nunca?
A casa é pequena, a cama desconfortável e nada de você pra eu me aninhar em seus braços. Onde está você?
Oba! Você chegou!
domingo, abril 23, 2006
ahhhhhh
Eu tento me distrair, fazer o meu pensamento mudar de direção. Tento fazer com que não doa tanto ou então se doer, que eu não dê tanta bandeira e mostre para todos o meu sofrimento banhando em lágrimas sem fim e que tem como preço a pena dos outros, o que faz ficar ainda pior.
Eu tento até não beber pra não ficar tão vulnerável aos meus sentimentos, mas a verdade espalhada por todos os lados e encenada a cada minuto, puxa o foco da minha distração e me sinto como se fossem facas sendo enfiadas no meu coração.
Eu sei que eu estou ficando chata, embora tente fazer com que minha tristeza não influencie minhas amizades, mas não sei mais o que fazer. Se eu fico protegida na mentira da minha casa, sozinha dói muito e se eu saio pra verdade exposta dói ainda mais. Eu sei que já passei por isso antes mas eu não lembro o que fazer...
Eu tento até não beber pra não ficar tão vulnerável aos meus sentimentos, mas a verdade espalhada por todos os lados e encenada a cada minuto, puxa o foco da minha distração e me sinto como se fossem facas sendo enfiadas no meu coração.
Eu sei que eu estou ficando chata, embora tente fazer com que minha tristeza não influencie minhas amizades, mas não sei mais o que fazer. Se eu fico protegida na mentira da minha casa, sozinha dói muito e se eu saio pra verdade exposta dói ainda mais. Eu sei que já passei por isso antes mas eu não lembro o que fazer...
De Babe Lavenère
Tenho a impressão de estar esquecendo alguma coisa. Quando eu sinto isso, olho minha bolsa, meu casaco, meus brincos grandes de sempre. Estão todos comigo. Mas a sensação de que alguma coisa ficou pra trás continua. Você sabe o que é sentir isso? Sabe quando está tudo certo e você sente que está faltando alguma coisa? Quando alguma coisa que não se sabe o que é está fazendo falta? Quando o ser e o estar, de alguma forma, parecem insuficientes? Vasculho a minha lembrança e o meu esquecimento. E eu com esse gosto doce na boca. E, no corpo, certo entorpecimento de ter te tocado a pele a noite inteira, ao mesmo tempo sinto essa tristeza da despedida. Tenho a impressão de ter esquecido meu coração na sua cama.
quinta-feira, abril 20, 2006
fotografia
A imagem já está registrada como uma fotografia que só eu posso ver. E talvez seja melhor assim mesmo porque nenhuma outra pessoa no mundo saberia dar o valor que essa imagem tem.
Talvez algum dia eu tire mesmo uma fotografia dessa cena, mas por enquanto ela é só minha, por que só eu sei o que eu sinto até que se chegue àquela situação e como eu me sinto depois.
Só vale pra mim.
Talvez algum dia eu tire mesmo uma fotografia dessa cena, mas por enquanto ela é só minha, por que só eu sei o que eu sinto até que se chegue àquela situação e como eu me sinto depois.
Só vale pra mim.
quarta-feira, abril 19, 2006
presente de sábado
Como disse uma vez uma poetisa que eu tenho o prazer de conhecer, hoje amanheceu segunda feira. Mas não pra mim.
Era segunda feira para todos os outros e eles saíam pra trabalhar ou estudar, a maioria deles com aquela cara de segunda feira, aquela mistura de preguiça com ressaca...mas pra mim amanheceu sábado com um sol suave e uma brisa gostosa. E eu ainda ganho um presente. Um presente de sábado. Com aquele cheiro de sábado, cheiroso. Aquele som de sábado e aquela sensação que todo sábado sonha em proporcionar. E depois de um dia com a pele linda e o sangue fino eu anoiteci segunda feira. Anoiteci a melhor segunda feira dos últimos tempos.
Era segunda feira para todos os outros e eles saíam pra trabalhar ou estudar, a maioria deles com aquela cara de segunda feira, aquela mistura de preguiça com ressaca...mas pra mim amanheceu sábado com um sol suave e uma brisa gostosa. E eu ainda ganho um presente. Um presente de sábado. Com aquele cheiro de sábado, cheiroso. Aquele som de sábado e aquela sensação que todo sábado sonha em proporcionar. E depois de um dia com a pele linda e o sangue fino eu anoiteci segunda feira. Anoiteci a melhor segunda feira dos últimos tempos.
terça-feira, abril 18, 2006
equação
Queria conseguir colocar em números o que eu sinto. Seria uma equação complicada, essa minha. Teria que somar animação e ansiedade, diminuir insegurança, multiplicar o carinho e o amor que eu tenho pra dar, elevar ao meu desejo e depois dividir pela raiz quadrada da diferença da minha culpa pelo meu cansaço. Considerando todas as chaves, colchetes e parênteses eu sei que o sinal do resultado ia ser positivo.
Ou então queria conseguir colocar em palavras os meus sentimentos. Seria um poema bem simples, ou uma crônica divertida. Dependendo da situação uma poesia rebuscada com palavras decifráveis só com ajuda do dicionário e dessas que a gente só entende depois de ler umas cinco vezes.
Ou, por último, eu poderia tentar colocar em gestos o que eu sinto. Seria muito carinho. Passar a mão no seu cabelo e na sua boca. Seria beijar a sua boca e te abraçar muito forte. Seria deitar de colher com você e não sair nunca mais de lá.
Ou então queria conseguir colocar em palavras os meus sentimentos. Seria um poema bem simples, ou uma crônica divertida. Dependendo da situação uma poesia rebuscada com palavras decifráveis só com ajuda do dicionário e dessas que a gente só entende depois de ler umas cinco vezes.
Ou, por último, eu poderia tentar colocar em gestos o que eu sinto. Seria muito carinho. Passar a mão no seu cabelo e na sua boca. Seria beijar a sua boca e te abraçar muito forte. Seria deitar de colher com você e não sair nunca mais de lá.
segunda-feira, abril 17, 2006
i´m miserable
Eu não posso negar que estou sofrendo. Não dá, por mais que eu não queira admitir, há em mim um corte profundo que sangra. Eu queria mesmo sofrer tudo de uma vez mas não consigo estancar meu sofrimento. O sangue brota do meu coração machucado e escorre pelo meu peito. Já tentei de várias formas acabar com isso. Eu já chorei, dormi, vomitei, me diverti, ocupei minha cabeça com outras coisas e até possíveis outros amores mas eu acabo sozinha sofrendo todas as noites.
Mas agora, eu acho, descobri o que me falta! Felicidade. A minha ou a sua. As duas juntas seria perfeito, mas se viesse uma só de cada vez já estava de bom tamanho. Eu preciso ser, ou que você seja feliz.
Mas agora, eu acho, descobri o que me falta! Felicidade. A minha ou a sua. As duas juntas seria perfeito, mas se viesse uma só de cada vez já estava de bom tamanho. Eu preciso ser, ou que você seja feliz.
domingo, abril 16, 2006
Beiras!!!! 40 anos! vamos bebemorar!
É bem quando eu termino mais um copo de cerveja, aquele último que foi bebido mais rápido pra que eu – quem sabe embriagada- consiga me livrar um pouco da minha realidade.
A verdade me cutuca a toda hora, a realidade me atormenta e minha paciência vai queimando junto com o cigarro que descansa no cinzeiro cheio.
Eu não agüento mais esperar, não agüento mais as mesmas coisas e sentimentos. Não agüento mais as gargalhadas sinceras e os sorrisos falsos. Não agüento mais as contas divididas igualmente por quinze pessoas que no caminho pra casa vão estar falando mal umas das outras.
E eu não agüento mais dormir sozinha. Desce, então uma saideira, que essa eu vou virar.
A verdade me cutuca a toda hora, a realidade me atormenta e minha paciência vai queimando junto com o cigarro que descansa no cinzeiro cheio.
Eu não agüento mais esperar, não agüento mais as mesmas coisas e sentimentos. Não agüento mais as gargalhadas sinceras e os sorrisos falsos. Não agüento mais as contas divididas igualmente por quinze pessoas que no caminho pra casa vão estar falando mal umas das outras.
E eu não agüento mais dormir sozinha. Desce, então uma saideira, que essa eu vou virar.
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